sexta-feira, 23 de março de 2018

Peixe ornamental frito

Outra história que ocorreu quando eu era criança. Devia ter uns 7-8 anos. Na época, em casa tinha um aquário com vários peixinhos ornamentais. Havia ganhado de presente dos meus pais, pois como sempre criava bichos, animais aquáticos até então era algo que não tinha. Eu adorava o aquário, observar os peixinhos coloridos nadando pra lá e pra cá me dava sensação de tranquilidade. 

Certo dia, meus pais haviam saído para fazer compras no mercado, e eu acabei ficando em casa sozinho. Logo após eles saírem, lembro que fui tratar os peixinhos e algo chamou minha atenção. Um deles havia morrido. Era um espadinha vermelhinho, estava de ponta-cabeça indo pra lá e pra cá, devido ao filtro que agitava a água. No mesmo instante, retirei ele da água e antes mesmo de fazer qualquer coisa, me veio uma "brilhante" ideia: Já que ele morreu, não iria ser em vão, iria aproveitar pra fritar e comer. Sim, eu já sabia cozinhar e fritar, quando dava vontade, fazia meus miojos e fritava ovo.


Era um desses

Então peguei uma frigideira e do mesmo jeito que o peixe estava, coloquei-o no meio, joguei um pouco de óleo e acendi o fogão. Como era minúsculo, o peixe já começou a fritar e logo em seguida já estava carbonizando. Desliguei o fogão e aí me bateu um arrependimento. Não tinha dado certo a ideia. Somando a isso, senti o remorso da morte do peixe de estimação. Não deu outra, comecei a chorar sozinho, sem saber o que fazer com o peixinho torrado. Depois de uns minutos chorando, peguei o que restava do bicho carbonizado e fui no quintal enterrar. Depois do ocorrido fiquei bem triste.

O tempo passou e os outros peixes que vieram a morrer já não me impactaram tanto, inclusive um deles o cachorro acabou comendo logo depois que enterrei.


quarta-feira, 14 de março de 2018

Ninho provisório...esquecido

Mais uma de minhas histórias de quando era criança. Esta ocorreu quando eu tinha uns 5 anos. Era bem novo. Desde que eu me conheço por gente, sempre me encantava qualquer tipo de ser vivo, já demonstrava meu interesse por biologia desde cedo.

Assim, todo e qualquer bicho que encontrava ou passava pelo meu caminho era objeto de observação e tentativas de criação. Sério, já criei tudo quanto é tipo de invertebrado (a história dos cupins sairá em breve) - e dentro do possível - vertebrado também.

Certo dia, um filhote de pardal caiu do ninho e lá ficou o bichinho no chão, desamparado. Eu, com meu instinto pré-biólogo, procurei pelo ninho, mas nenhum sinal, muito menos dos pais. Aí não deu outra, vi a oportunidade para criá-lo.

Primeira coisa foi procurar um local para deixá-lo, que fosse fechado e tivesse o formato de um ninho. Tentei achar alguma caixa de sapato ou algo parecido mas não tinha nada parecido em casa. Não sei exatamente o por quê, mas lembro que encontrei como solução provisória para colocá-lo em um lugar fechado e parecido com um  ninho foi num dos bonés do meu pai. Claro que para isso, eu não contaria para ele pois não deixaria eu colocar um filhote de passarinho dentro do boné.

Não é a foto real, mas foi meio que isso

Então peguei escondido e coloquei o passarinho dentro. Até que cabia bem. Para protegê-lo e não ter perigo dele sair, prendi a aba do boné com a parte de trás com grampos de roupa, de modo parecia um saquinho fechado. Depois disso, resolvi deixar o boné dentro de uma caixa onde eu guardava meus brinquedos, pois sabia que ninguém mais iria mexer lá, até eu encontrar um lugar melhor.

Serviço feito, era hora do almoço, minha mãe já chamando, então resolvi ir almoçar, antes de fazer qualquer outra atividade. Após o almoço, havia surgido algo que desviou minha atenção. Depois disso, alguma outra coisa e assim foi indo.  O fato já aparente aconteceu, esqueci do passarinho. E esqueci mesmo. O modo como ele foi lembrado foi tragicômico.

Um dia minha mãe estava se queixando de um fedor que não sabia de onde vinha, mas já era de dias que ela estava sentindo. Aí ela comentou se eu não tinha guardado nada na minha caixa de brinquedos, já que parecia que o fedor vinha de lá. Mesmo ela falando isso, não me lembrava do dito cujo. Como ela havia pedido, revirei a caixa, e lá no fundo estava algo. Um boné. Foi então que me lembrei. Minha reação foi uma mistura de surpresa com arrependimento, e também achei engraçado, pois na hora que descobrimos, meu pai havia chegado e visto o que tinha acontecido com seu boné. 

O passarinho estava podre lá dentro e tivemos até que descartar o boné depois disso.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Fuja se puder!

A história desse evento ocorreu quando eu era adolescente, por volta de uns 13, 14 anos. Havia ido visitar um amigo meu do colégio. Ele morava num condomínio fechado, considerado de alto padrão. O local fica afastado de outros bairros, sendo que o acesso pelo condomínio é por rodovia e do lado dele há uma fazenda. 

Chegando lá, ele sugeriu a gente passear pelo condomínio para eu conhecer. Concordei e fomos caminhar. Durante o passeio, ele ia me contando as histórias de quando ele era criança, que sempre foi solitário e que as brincadeiras que fazia normalmente acabavam atormentando os vizinhos. Contou de uma situação engraçada que ocorreu quando ele era criança, quando resolveu entrar na fazenda ao lado para conhecer e aproveitar pegar umas frutas e acabou tendo que sair às pressas por conta do caseiro que o viu e saiu correndo atrás xingando. Após me contar, ele perguntou se eu não queria conhecer a fazenda. Falei que não, pois pensei, vai que o caseiro vê a gente andando por lá e solta os cachorros.

Ele me garantiu que não teria problema, pois a gente apenas iria caminhar até a parte mais alta da fazenda até uma torre de comunicação, que era um ponto bastante alto, cuja vista de lá era bem bonita, dando para ver toda a cidade. Achei interessante e acabei concordando.

Entramos na fazenda, realmente ela ficava exatamente ao lado do condomínio, sendo separada por um muro alto, da parte do condomínio, mas nos fundos apenas com arame farpado. Entramos pelo arame farpado. Fiquei com medo, mas como ela era muito grande, não dava para enxergar nenhuma casa por perto, apenas plantação e só lá na frente um pomar de várias frutas. De onde a gente entrou, era só subida, e ao longe dava para ver a torre, era o lugar mais alto da fazenda. Iniciamos a caminhada e logo em seguida começou a fechar o tempo, uma chuva forte estava a caminho. Apressamos o passo. 

Chegando lá, percebi que havia valido a pena, a vista era magnífica. A região já era um dos pontos mais altos da cidade e ali na torre, o ponto mais alto da fazenda, dava para ver toda a paisagem e a cidade ao fundo. Ficamos um tempo apreciando, o vento soprando bem forte e as nuvens negras chegando. 


Essa foto de Palácio Boa Vista é cortesia do TripAdvisor. Não é o mesmo lugar, mas parece bastante a paisagem, inclusive no nome da região: Boa Vista.

De repente começou a cair uns pingos fortes, estava começando um temporal. Falei para a gente descer, pois se começasse a chuva, iríamos nos encharcar. Bastou comentar isso quando vimos ao longe outra coisa para nos preocupar. O caseiro deveria ter visto a gente e acabou soltando uns touros. E o pior,  parecia que os bichos estavam vindo brabos em nossa direção. 

Foi mais ou menos isso quando vimos os touros vindo. Crédito da imagem: fbulls

Foi o fator decisivo para a sairmos correndo todo caminho de volta. A sorte que era descida, então não foi cansativo. Contudo, a chuva já tinha começado forte e como o chão estava fofo pela plantação, o pé afundava bastante na lama.

Não deu outra. Ficamos ensopados, enlameados e na correria, quando finalmente consegui atravessar a fazenda e chegar no condomínio, percebi que meu amigo tinha ficado para trás. Quando ele chegou, parecia um curupira, com os cabelos desgrenhados, tudo sujo de lama e um detalhe, havia perdido um dos tênis no caminho. Disse que na correria, o pé tinha afundado na lama e quando tirou, o tênis tinha ficado preso. Como os touros estavam vindo, não teve tempo de pegar.

Como resultado de nossa aventura, parecíamos dois zumbis enlameados andando pelo condomínio na chuva, ele meio mancando, com um dos pés descalço, até finalmente conseguirmos chegar na casa dele. Acabei tendo que emprestar uma roupa limpa dele para eu conseguir voltar embora para minha casa, pois estava sem condições de pegar ônibus todo cheio de lama com minha roupa.

Tipo isso