quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Passarinho superalimentado

Essa fatídica história ocorreu, para variar, quando eu era criança. Deveria ter por volta dos 8-10 anos e nessa época meu espírito de biólogo protetor já estava bem desenvolvido.

Estava eu andando como de costume pelo quintal quando algo se mexendo no chão, não muito longe, chamou minha atenção. Era cinza e pequeno e todo desengonçado.

Imediatamente fui ao encontro do pequeno ser que se debatia e ao chegar mais próximo, descobri que era um filhote de passarinho, mais especificamente um filhotinho de pardal.


O bicho era parecido com esse... bonito que só

Quando vi que era um filhotinho perdido, olhei para as árvores por volta para ver se os pais estariam por perto, ou até mesmo se achava o ninho ao qual ele havia se perdido. Foi uma busca em vão, pois não havia sinal dos adultos e muito menos do ninho.

Resolvi tentar criar, pelo menos até o bichinho conseguisse voar e se virar por conta própria. Peguei uma caixa de sapato vazia, montei um "ninho" improvisado de palha e coloquei o serzinho lá. Uma vez alocado, deixei ele em paz para se acomodar.

Após algumas horas, ouvi uns piados e fui conferir o que estava acontecendo. Quando ele me viu, imediatamente abriu o bico freneticamente: estava com fome.

Fui procurar minhocas no quintal, achei umas e trouxe para ele. Com ajuda de uma pinça, ajudei-o a comer. Eu estava bem feliz que estava dando certo. 

Acontece que dado uns minutos após, ele voltou a fazer barulho e mesma situação; ao me ver, abriu o bico freneticamente em busca de alimento. Mais uma vez eu repeti o procedimento. Depois da segunda alimentação, pensei que estivesse resolvido por algum tempo, mas doce engano. Passado outros tantos minutos, lá estava ele de volta com o bico aberto, desesperado, quando me via. Resolvi variar as minhocas, ofertando pão umedecido. E o bicho sempre comendo.




O bichinho sempre abria o bico quando me via, e para mim era falta de comida

Como ele sempre comia, imaginei que era porque realmente ele tinha muita fome, mas achei muito estranho que ele não parava. E o processo se repetiu umas... 10 vezes!

Até que notei algo muito esquisito. Ele abria o bico e notei que os últimos alimentos ainda não haviam sido engolidos. Olhei com mais atenção e notei que na verdade, as comidas não estavam descendo mais!

Fiquei muito assustado, pois não imaginava que iria acontecer isso. Foi quando resolvi tirar ele do ninho e para minha surpresa outra coisa chamou a atenção. A barriga dele estava imensa, parecia que iria explodir. 

Coloquei com cuidado ele novamente no ninho e não alimentei mais. Passaram-se várias horas e a comida continuava ali, e a barriguinha ainda do mesmo tamanho. Passei a ignorar as aberturas de bico dele. 

Deixei até o dia seguinte e quando fui vê-lo, infelizmente estava morto. Peguei o bichinho e a barriga continuava do mesmo jeito. Acredito que o excesso de comida e a falta de experiência tenha matado o bichinho.

Chorei bastante em ter concluído isso. Após, enterrei ele e prometi que não tentaria mais cuidar de um filhotinho perdido.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

As vezes em que me fraturei parte 8 - Cotovelo

Pois é... pensei que a parte 7 seria a última postagem desta série no blog e infelizmente estava enganado.

Acontecimento bem recente, fraturei o cotovelo esquerdo em outubro deste ano (2018) de uma maneira inusitada (pra variar).

Tudo começou por conta de uns barulhos que havia algumas semanas estava eu escutando no forro de casa. Era uns barulhinhos de bichos andando pra lá e pra cá. Geralmente durante a noite, de madrugada. Pensei, deve ser rato, e lá fui eu subir no forro armar ratoeiras e colocar veneno. Na outra casa em que eu morava já havia ocorrido isso e as ratoeiras ou veneno davam conta.

Fato é que passaram os dias e nada de surtir efeito. Tudo intocado, parece que nem davam atenção às armadilhas, e os barulhos continuavam. Até o fatídico dia - ou madrugada - em que acabei me estrepando.

Foi numa madrugada de quinta feira, 1:30 da manhã, parecia que havia mais que um bicho. Os barulhos estavam mais fortes, parecia que estavam fazendo uma festa no forro. Eu já estava quase indo dormir, quando resolvi subir a escada e tentar pelo menos ver se era realmente rato, pois até então nem sabia o que de fato era. 

Peguei a escada, armei ela, depois peguei uma lâmpada liguei na tomada com a extensão e subi. Ao abrir o alçapão do forro e começar a iluminar, ouvi um alvoroço bem atrás de mim. Resolvi subir rápido até o ultimo degrau e me virar, na esperança de finalmente ver o que era. Foi quando senti a escada abrindo. O ferro que segura o meio saiu do encaixe e a escada abriu as pernas. Foi tão rápido que nem consegui reagir. Caí lá de cima com os braços esticados. 
Na queda, bati o joelho, os dedos dos pés, o nariz e os dois braços. No chão sentia dor em tudo isso, mas a maior era no cotovelo esquerdo. Sabia que tinha fraturado pois já conheço a dor. As demais coisas não tinha certeza, mas o pensamento era: "me quebrei de volta, não é possível".


Resultado de imagem para escada
A escada é bem parecida com essa, mas de um modelo mais antigo, 
de ferro, com o meio é preso apenas com um ferro
que segura as pernas de abrir.

Lá fui eu ao pronto atendimento de madrugada. Cheguei lá, tirei raio-x de tudo que tinha direito e descobri que havia fraturado o rádio e a ulna. Depois pra confirmar, no exame de tomografia o médico viu ainda que o rádio ainda tinha saído do lugar (luxação da cabeça do rádio). Resumindo a história, precisaria operar.

Fazer o que. Saldo da história: cotovelo operado, placa e mais sete parafusos. Hoje são aproximadamente 60 dias da cirurgia e felizmente a recuperação foi muito boa. Recuperei quase 100% do movimento normal, os ossos estão consolidados e apesar de não ter terminado as sessões de fisioterapia, já não sinto mais as dores terríveis que sentia quase todo instante no braço.

Mais uma história que fica, mas espero não ter mais dessas pra contar.

PS. Sobre os supostos ratos e barulhos, curiosamente depois do ocorrido os barulhos simplesmente desapareceram, nunca mais ouvi nada...




sexta-feira, 23 de março de 2018

Peixe ornamental frito

Outra história que ocorreu quando eu era criança. Devia ter uns 7-8 anos. Na época, em casa tinha um aquário com vários peixinhos ornamentais. Havia ganhado de presente dos meus pais, pois como sempre criava bichos, animais aquáticos até então era algo que não tinha. Eu adorava o aquário, observar os peixinhos coloridos nadando pra lá e pra cá me dava sensação de tranquilidade. 

Certo dia, meus pais haviam saído para fazer compras no mercado, e eu acabei ficando em casa sozinho. Logo após eles saírem, lembro que fui tratar os peixinhos e algo chamou minha atenção. Um deles havia morrido. Era um espadinha vermelhinho, estava de ponta-cabeça indo pra lá e pra cá, devido ao filtro que agitava a água. No mesmo instante, retirei ele da água e antes mesmo de fazer qualquer coisa, me veio uma "brilhante" ideia: Já que ele morreu, não iria ser em vão, iria aproveitar pra fritar e comer. Sim, eu já sabia cozinhar e fritar, quando dava vontade, fazia meus miojos e fritava ovo.


Era um desses

Então peguei uma frigideira e do mesmo jeito que o peixe estava, coloquei-o no meio, joguei um pouco de óleo e acendi o fogão. Como era minúsculo, o peixe já começou a fritar e logo em seguida já estava carbonizando. Desliguei o fogão e aí me bateu um arrependimento. Não tinha dado certo a ideia. Somando a isso, senti o remorso da morte do peixe de estimação. Não deu outra, comecei a chorar sozinho, sem saber o que fazer com o peixinho torrado. Depois de uns minutos chorando, peguei o que restava do bicho carbonizado e fui no quintal enterrar. Depois do ocorrido fiquei bem triste.

O tempo passou e os outros peixes que vieram a morrer já não me impactaram tanto, inclusive um deles o cachorro acabou comendo logo depois que enterrei.