quarta-feira, 14 de março de 2018

Ninho provisório...esquecido

Mais uma de minhas histórias de quando era criança. Esta ocorreu quando eu tinha uns 5 anos. Era bem novo. Desde que eu me conheço por gente, sempre me encantava qualquer tipo de ser vivo, já demonstrava meu interesse por biologia desde cedo.

Assim, todo e qualquer bicho que encontrava ou passava pelo meu caminho era objeto de observação e tentativas de criação. Sério, já criei tudo quanto é tipo de invertebrado (a história dos cupins sairá em breve) - e dentro do possível - vertebrado também.

Certo dia, um filhote de pardal caiu do ninho e lá ficou o bichinho no chão, desamparado. Eu, com meu instinto pré-biólogo, procurei pelo ninho, mas nenhum sinal, muito menos dos pais. Aí não deu outra, vi a oportunidade para criá-lo.

Primeira coisa foi procurar um local para deixá-lo, que fosse fechado e tivesse o formato de um ninho. Tentei achar alguma caixa de sapato ou algo parecido mas não tinha nada parecido em casa. Não sei exatamente o por quê, mas lembro que encontrei como solução provisória para colocá-lo em um lugar fechado e parecido com um  ninho foi num dos bonés do meu pai. Claro que para isso, eu não contaria para ele pois não deixaria eu colocar um filhote de passarinho dentro do boné.

Não é a foto real, mas foi meio que isso

Então peguei escondido e coloquei o passarinho dentro. Até que cabia bem. Para protegê-lo e não ter perigo dele sair, prendi a aba do boné com a parte de trás com grampos de roupa, de modo parecia um saquinho fechado. Depois disso, resolvi deixar o boné dentro de uma caixa onde eu guardava meus brinquedos, pois sabia que ninguém mais iria mexer lá, até eu encontrar um lugar melhor.

Serviço feito, era hora do almoço, minha mãe já chamando, então resolvi ir almoçar, antes de fazer qualquer outra atividade. Após o almoço, havia surgido algo que desviou minha atenção. Depois disso, alguma outra coisa e assim foi indo.  O fato já aparente aconteceu, esqueci do passarinho. E esqueci mesmo. O modo como ele foi lembrado foi tragicômico.

Um dia minha mãe estava se queixando de um fedor que não sabia de onde vinha, mas já era de dias que ela estava sentindo. Aí ela comentou se eu não tinha guardado nada na minha caixa de brinquedos, já que parecia que o fedor vinha de lá. Mesmo ela falando isso, não me lembrava do dito cujo. Como ela havia pedido, revirei a caixa, e lá no fundo estava algo. Um boné. Foi então que me lembrei. Minha reação foi uma mistura de surpresa com arrependimento, e também achei engraçado, pois na hora que descobrimos, meu pai havia chegado e visto o que tinha acontecido com seu boné. 

O passarinho estava podre lá dentro e tivemos até que descartar o boné depois disso.

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